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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O menino de Alepo que abalou a consciência do mundo: a história por trás da fotografia

Por JÚNIOR GONÇALVES
18 de agosto de 2016 às 20H48

Com o rosto coberto por poeira e banhado pelo próprio sangue, o pai sírio começou a vasculhar os escombros do que havia sido – até momentos antes – a casa de sua família.

Ele mal parou enquanto puxava o seu filho Omran, de cinco anos de idade, dos destroços causados pelo ataque aéreo russo. Em algum lugar debaixo das pedras havia mais quatro de seus filhos e a sua esposa.

Em vez disso, ele passou Omran a um homem que estava perto, o qual passou o menino a outro homem, até a criança percorrer uma corrente humana de voluntários para o banco de trás de uma ambulância que aguardava na rua abaixo.

Lá, o garoto se sentou, seus pés descalços mal alcançavam a beira do assento para adultos e os seus olhos vidrados pelo choque sofrido, enquanto ele observava o lado de fora da ambulância e assistia ao caos do outro lado.
"Médico em #Alepo acabou de enviar esta foto de uma criança aterrorizada que sobreviveu a um ataque aéreo."

Uma fotografia tirada do menino Omran Daqneesh naquele momento já foi vista em todo o mundo, compartilhada milhares de vezes nas redes sociais e trouxe consigo um fragmento do terror que as pessoas de Alepo estão enfrentando sob bombardeio incessante pelo regime de Assad e os seus aliados russos.

Muito similar à imagem de Aylan Kurdi, o menino sírio cujo corpo foi trazido pelas águas numa praia da Turquia há menos de um ano, a foto de Omran abalou temporariamente um mundo que se esqueceu do temor de muitos sírios após cinco anos de uma guerra civil exaustiva.
O corpo de Aylan Kurdi é trazido pela água em uma praia da Turquia em setembro de 2015 e chocou o mundo momentaneamente para responder à crise dos refugiados.

Ofertas de ajuda surgem de todo o planeta, como se os pais de todo lugar enxergassem algo de seus filhos no frágil rosto de Omran. "O que podemos fazer, deve haver algo?" perguntou um usuário do Twitter. "Não posso continuar rolando a tela e esquecer essa realidade."

Para aqueles que vivem mediante a realidade em Alepo, o ataque aéreo que destruiu a casa da família Daqneesh na noite de quarta-feira foi algo normal uma vez que bombas caem quase de hora em hora.

A segunda maior cidade da Síria tem servido como um campo de batalha há anos, mas o índice de ataques aéreos pelos aviões russos dos helicópteros do regime intensificou dramaticamente desde que uma força combinada de rebeldes e jihadistas quebrou um cerco das forças de Bashar al-Assad no início deste mês.

"Eles estão nervosos porque o cerco foi quebrado e estão fazendo vingança" disse Muhammad Zain al Khandakani, um advogado em Alepo. "Um pai pode sair de sua casa para comprar pão e nunca retornar. Um garoto pode sair para trabalhar e nunca retornar. Eu não sei como os pilotos deles conseguem soltar bombas 24 horas por dia."

O prédio onde a família Daqneesh vivia e mais um edifício foram atingidos por volta das oito da noite por um par de caças-bombardeiros de acordo com as testemunhas que fugiram para o bairro Qaterji momentos depois das bombas caírem.

Entre os voluntários estava Mahmoud Raslan, um fotógrafo que registra a carnificina em sua cidade. Quando ele alcançou o local da explosão, ele deixou a sua câmera pendurada no seu braço e, em vez de fotografar, inclinou-se sobre uma varanda e entrou no apartamento, onde o pai de Omran lhe entregou o filho machucado.

Raslan não tirou nenhuma foto até que Omran estivesse seguro dentro da ambulância. Então, ele pegou a sua câmera, focou na criança, que parecia um boneco, na sua expressão vazia, e tirou a foto.

"Quando vi a fotografia, eu soube que ela era carregada de dor e muito poderosa" ele disse ao The Telegraph. "Geralmente, os meninos estão chorando. Mas este garoto é diferente porque ele não chorava. Ele estava em estado de choque. É isso o que deixa a imagem tão impressionante."

Enquanto o fotógrafo fazia o upload da sua fotografia, Omran, seus irmãos e seus pais eram levados ao M10, um hospital improvisado onde uma equipe de cirurgiões e de enfermeiros dão o melhor de si para salvar vidas com poucos remédios e eletricidade instável.

O hospital tem sido atingido repetidamente pelos ataques russos e os funcionários forraram as paredes com barris cheios de terra na tentativa de proteger os seus pacientes das explosões.

Incrivelmente, todos os sete membros da família Daqneesh sobreviveram à explosão que destruiu o seu apartamento. Apenas um filho, o irmão mais velho de Omran, foi mantido no hospital para tratamento.

O casal se negou a falar com a imprensa sobre a imagem viral do seu filho, dizendo que eles temiam que o regime de Assad se vingasse contra os membros da famílias que ainda estivessem vivos nas áreas controladas pelo governo.

Omran ainda estava mudo quando chegou ao M10, mas os seus olhos se arregalaram para o local de sangue e machucados em volta dele.

"Ele não acreditou no que via, ele não sabia o que estava acontecendo ao seu redor" disse Muhammed Abu Rajab, um técnico em raio-X que tratou suas feriadas. "Quando ele finalmente falou, as suas primeiras palavras eram um pedido para conversar com o seu pai."

Após tratar o machucado na cabeça de Omran e limpar a sujeira do seu rosto, os funcionários do M10 concluíram que ele não havia sofrido nenhum dano cerebral e liberaram o menino para os seus pais, que estavam levemente feridos. A família está, agora, com parentes.

Alguns ativistas sírios abraçaram o reconhecimento mundial de Omran e tuitaram fotos dele como um espectro de consciência questionando por que o mundo não estava fazendo nada para acabar com o massacre em Alepo.

Mas enquanto outros estavam paralisados com a foto de Omran, os médicos em Alepo não tinha tempo para perder no menor ferimento na cabeça de um menino.

Na manhã de quinta-feira, a chacina começou outra vez. Bombas atingiram um grupo de adolescentes que comandavam um serviço de reparo de carro em uma rotatória no bairro Salaheen. Os jovens tiveram menos sorte que Omran e ao menos dez pessoas foram mortas. Muitos morreram no chão do hospital enquanto os médicos realizavam desesperadamente a reanimação cardiorrespiratória.

O Dr. Zaher Sahloul, um consultor sênior da Syrian-American Medical Society (Sociedade Médica sírio-americana), soava cansado enquanto discutia sobre a imagem de Omran.

"Todos os dias, nós vemos dezenas de imagens de crianças que foram mutiladas por bombas de barril ou queimadas por armas químicas ou mortas em um ataque de míssil. Todas elas são dolorosas e mostram o sofrimento no rosto de inocentes" ele disse. "É difícil saber por que uma foto captura a imaginação de um mundo enquanto as outras passam desapercebidas."

Fonte: <http://www.telegraph.co.uk/news/2016/08/18/the-little-boy-from-aleppo-who-jolted-the-conscience-of-the-worl/>

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Olimpíadas no Brasil: dez pessoas detidas por 'tramarem terrorismo'

Por JÚNIOR GONÇALVES
21 de julho de 2016 às 20H42

A polícia brasileira deteve dez membros de um grupo que alegou estar preparando atos de terrorismo duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos.

Eles não eram membros do denominado Estado Islâmico, mas tentaram contatar o grupo, disseram os oficiais.

O Ministro da Justiça Alexandre Moraes disse que o grupo estava na etapa de planejamento de um ataque e a polícia agiu como uma medida preventiva.

Moraes descreveu a célula como "completos amadores" e "despreparados" para iniciar um ataque.

Todos aquelas pessoas detidas eram brasileiras e mais dois suspeitos estavam sendo procurados, ele disse.

Eles foram detidos em dez estados diferentes e têm mantido contato por serviços de mensagem como o WhatsApp.

Os membros do grupo tentaram fizeram uma tentativa de contato com um fornecedor de armas no país vizinho, Paraguai, a fim de conseguir fuzis de assalto AK-47, mas não houve provas de qualquer compra.

Foi convocada uma reunião de emergência do gabinete brasileiro.

Mais de 80 mil policiais e soldados farão a patrulha nas ruas cariocas para os jogos, que se encerram no dia 21 de agosto.
 

O Governo Federal disse, na última semana, que estava liberando R$78 milhões extras para reforçar a segurança em torno das Olimpíadas.

O Comitê Olímpico Internacional concluiu recentemente que o Rio de Janeiro superou os contratempos e estava "pronto para receber o mundo" para as Olimpíadas de 2016.

Houve receio sobre o preparo do Rio por conta dos atrasos nas obras, do Zika vírus e da crise política.

Numa coletiva de imprensa, o Ministro da Justiça disse que havia uma "probabilidade mínima de um ato terrorista durante as Olimpíadas do Rio".

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A crise do Zika vírus força mulheres a desafiar a lei do aborto no Brasil

Por JÚNIOR GONÇALVES
20 de julho de 2016 às 19H40

Grupos de mulheres brasileiras estão prontos para desafiar as leis contra o aborto na esperança de fazer um aborto legal e seguro possível para mulheres em risco de darem à luz a bebês com deficiências após a exposição ao Zika vírus.

"As mulheres deveriam poder decidir e ter acesso aos meios para interromper a gravidez porque elas estão enfrentando sérios riscos de ter bebês com microcefalia e, também, portadores de graves distúrbios mentais durante a gestação. Elas não deveriam ser forçadas a prosseguirem com a gravidez diante das circunstâncias", disse Beatriz Galli, uma advogada em direitos humanos e bioética que trabalha para o Ipas, um grupo dedicado a erradicar o aborto inseguro.

Os advogados das organizações apresentarão uma contestação jurídica no Supremo Tribunal Federal na primeira semana de agosto, quando o Supremo retoma as suas atividades após o recesso. Eles são coordenados pelo Anis Instituto de Bioética, o qual pela igualdade das mulheres e pelos direitos reprodutivos.

Os grupos receberam uma opinião dos advogados da Universidade de Yale nos Estados Unidos, que alegam que as políticas governamentais brasileiras sobre o Zika e a microcefalia têm violado os direitos humanos das mulheres. O governo "falhou em decretar medidas adequadas para garantir que todas as mulheres tenham acesso a informações e alternativas completas de saúde reprodutiva, como requisitado pelas obrigações de direitos humanos e de saúde pública do Brasil", analisa a Global Health Justice Partnership, que é uma iniciativa conjunta da Yale Law School e da Yale School of Public Health.

Também é crucial o manejo da epidemia no Brasil. A sua "falha em garantir infraestrutura adequada, recursos para a saúde pública e programas de controle do mosquito em certas áreas tem agravado consideravelmente o Zika e as epidemias de microcefalias relacionadas ao Zika, especialmente entre mulheres pobres de minorias raciais", diz a análise.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, desde 7 de julho, foram relatados 1.638 casos de microcefalia – uma cabeça pequena de forma anormal – e outras deficiências cerebrais no Brasil. As mulheres que não querer prosseguir com a sua gestação por terem sido infectadas, mesmo com um exame comprovando deficiências no cérebro do bebê, não podem escolher uma forma legal de interrupção da gravidez. Há provas de um aumento nos abortos precoces com o uso de pílulas compradas na internet e o receio de que o número de abortos ilegais e inseguros também aumentará.

Galli disse que já houve cerca de 200 mil hospitalizações de mulheres que foram submetidas a abortos clandestinos a cada ano e uma suspeita de um milhão de abortos ilegais antes da epidemia. "Sabemos que há clínicas operando em condições pobres e de baixa-renda no Rio e as mulheres estão pagando muito dinheiro e arriscando as suas vidas", ela disse.


Os ativistas que querem mudar a lei são encorajados por uma decisão do Supremo Tribunal decretada em caso de bebês com anencefalia em 2012. Essa é uma condição em que o feto se desenvolve sem um cérebro, tornando impossível que o bebê nasça com vida. O caso levou oito anos, mas o Supremo acabou votando em oito votos a favores e dois contra o aborto legal nessas circunstâncias.

Antes da decisão, houve duas exceções à proibição do aborto no Brasil – quando a vida da gestante estava em risco e quando ela havia sido estuprada. A anencefalia se tornou a terceira, mas os ativistas reconhecem que isso não é um precedente comum.

Debora Diniz, cofundadora do Anis e professora de lei na Universidade de Brasília, disse que estava confiante de que o Supremo entenderia que a situação se trata de uma emergência.  Elas não estavam pedindo pela legalização do aborto, ela disse, mas "terem o direito do aborto no caso da infecção pelo Zika durante a epidemia".

"Não é um aborto no caso de malformação congênita. É o direito de abortar no caso de ser infectada pelo Zika vírus, sofrendo estresse mental por que estar nessa situação terrível e quase não ter respostas sobre como planejar e ter uma gestação segura", ela disse.

Os ativistas têm cinco exigências: boas informações para as mulheres gestantes, melhorias no acesso ao planejamento familiar, dar repelentes de mosquitos às mulheres, melhores políticas sociais para ajudar crianças portadoras de deficiência causada pelo Zika e suporte financeiro aos pais.

Diniz destaca que as pessoas mais atingidas são as pobres. "A sensação em meu bairro bem de vida (em Brasília) é que está tudo bem", ela disse. As pessoas nunca encontraram uma mulher com Zika nem viram um bebê com deficiências neurológicas. Mas, quando ela vai às clínicas em áreas mais atingidas, como Campina Grande, no nordeste, tudo gira em torno do Zika.

"Temos dois países em um só país", ela disse. "Essa é uma emergência de mulheres desconhecidas. O problema é que elas eram desconhecidas antes da epidemia. Eu não estou sendo oportunista. Nós temos uma epidemia e a epidemia mostra o lado da desigualdade brasileira".


terça-feira, 19 de julho de 2016

STF derruba o bloqueio do WhatsApp

Por JÚNIOR GONÇALVES
19 de julho de 2016 às 23H06

O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu uma sentença que bloqueou o aplicativo mensageiro WhatsApp em território brasileiro por algumas horas no dia de hoje.

De acordo com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, a sentença dada pela juíza Daniela Barbosa, do Rio de Janeiro, viola a liberdade de expressão, de comunicação e de manifestação de opinião.

Seguindo a decisão do STF, o serviço foi disponibilizado novamente pelas operadoras de telefonia do país, que haviam bloqueado o aplicativo desde as duas horas da tarde.

Lewandowski acrescentou que a proibição foi "inadequada". A Juíza Barbosa vem exigindo que as conversações envolvendo pessoas sob investigação criminal sejam transmitidas à polícia em tempo real antes que ocorra a criptografia das mensagens.

"Não parece sensato permitir que (a decisão da Juíza Barbosa) siga em frente, uma vez que isso cria insegurança jurídica entre os usuários do serviço, deixando milhões de brasileiros incapazes de se comunicarem com os outros", escreveu Lewandowski.



A Juíza Barbosa, em contrapartida, disse que o Facebook, proprietário do WhatsApp, não pode agir como se estivesse acima da Lei.

"(O Facebook) vê a si mesmo acima da Lei brasileira. O Brasil lidera o segundo lugar em termos de usuários do WhatsApp ao redor do mundo. Assim, eles chegam aqui, oferecem o serviço, lucram com isso e querem estar à margem da Lei?", disse a Juíza a um portal de notícias brasileiro.

O WhatsApp é uma ferramenta de comunicação fundamental para quase metade da população brasileira, pois muitos usam o serviço para o trabalho. O serviço foi bloqueado no Brasil em outras ocasiões durante o último ano por juízes do país, todos com o mesmo fundamento.

Hoje cedo, o Ministro da Justiça Alexandre Moraes disse que ele tentaria e encontraria uma forma de impedir que essas proibições sejam executadas.

"Nós acabamos ficando presos entre os dois lados do debate. Por um lado, há falha em fornecer informações por aqueles que contêm informações realmente necessárias na luta contra o crime organizado e, por outro lado, quando há a necessidade de uma proibição, isso afeta milhões de pessoas", disse Moraes aos jornalistas em uma coletiva de imprensa.


"Precisamos regularizar isso. Nós estamos desenvolvendo um projeto para que, assim, haja um meio termo, na medida em que a empresa que contém as informações precise ter um escritório registrado no Brasil, o qual permita tecnicamente fornecer as informações brasileiras", acrescentou o Ministro.

Fonte: [http://www.zdnet.com/article/brazilian-supreme-court-overthrows-whatsapp-ban/]

Um blogue de notícias ao seu alcance sempre!

Por TELA DE NOTÍCIAS
19 de julho de 2016 às 22h20

O Tela de Notícias é um blogue criado por Júnior Gonçalves, formado em Tradução e Interpretação pelas Faculdades Metropolitanas Unidas em 2015.

A ideia do blogue é criar um portfólio com as traduções jornalísticas produzidas por ele ao mesmo tempo em que isso possibilita a transmissão de notícias internacionais por um canal ao qual todos estão conectados: a internet.